Wednesday, August 30, 2006

O primeiro verbo

Agosto foi todo um desespero, uma imensa preguiça de tudo, uma vontade de me afastar do bando e ir morrer na solidão das savanas, anônimo e só. Eu tive medo que pensassem de mim a branquidão das páginas, mas de fato pensariam o que era certo. A única palavra que me veio à cabeça não teve alento em sentido ou afeto, era o verbo que ninguém jamais conjugou no tempo. E deus, que saiu para comprar um maço de Marlboro Light e nunca mais voltou, levou meu caderninho de bolso, onde eu guardava todos os endereços para um dia, mais tarde, saber por onde andavam os pronomes retos, oblíquos e telepáticos...

4 comments:

Vítor Sherman said...

Roberto,

Ainda não li todos os textos, mas gostei muito dos que li.

Tens o meu aval para escrever teu livro. :P

Bjs,
Vítor

Gabriel said...

Todo agosto é insuportavelmente solitário.

audaz said...

Se deus fosse vinicius, compraria um carlton mint

Clá said...

A primeira vez que li esse texto gostei muito. Faz bem mais de um mês.

Agora li de novo e fiquei surpreendida por ter viajado com ele de forma diferente por ter imaginado ele acontecendo hoje, com essas bagunças todas dos controladores de vôo.

Ficou melhor ainda.